Por Elvio Júnior
Dizer que é "patriota" pelo simples fato de torcer pela seleção brasileira na copa do mundo foi o que milhares de brasileiros fizeram. Mas, estar preparado para perder nem sempre foi uma característica brasileira. Agora é esperar a próxima copa para, talvez, se chegar ao "hexa".
Agendados para a copa de 2010 na África do Sul o mundo parou para presenciar, assistir ou estar na copa. No Brasil, o verde e o amarelo se destacaram e fizeram presença nas lojas, supermercados, empresas privadas e públicas e até nas residências de milhares de brasileiros.
Frente a uma TV ou um telão, pela transmissão da Rede Globo, ficamos cada vez mais distantes do mundo real, como ele verdadeiramente é. Já que para se ter um patriotismo, segundo a grande parte da sociedade, é preciso assistir a copa e vivenciá-la. Será que com estes fatores teremos uma sociedade melhor, mais brasileira? Ou estamos diante de um senso comum e agendados para “torcer”? È preciso antes de mais nada ter uma visão mais crítica.
Torcer, gritar, “vuvunzar” é mesmo emocionante. Mas, tanta torcida, tanto “patriotismo” não levou o Brasil a chegar ao hexa. Nas paredes, ruas, carros que foram pintados e escritos “hexa”, foram também devidamente apagados. O verde e o amarelo ficaram apenas nos rios, nas matas, no céu que por sinal são lindos e aonde são seus devidos lugares. Depois do jogo da derrota, o Brasil acordou mais triste e insatisfeito. Culparam os jogadores, técnico, cantores e até as superstições. Mas será que a culpa não foram desses “patriotas” que antes do início da copa já se diziam vencedores? Estar preparado para perder nem sempre é fácil, quando não se sabe perder e muito menos quando se diz vitorioso antes do resultado final.
Não é ser contra a copa do mundo e deixar de gostar e acreditar na seleção brasileira, pelo contrário, o que estou a afirmar é que precisamos deixar de estar agendados e não esquecer o mundo por causa de jogos. O que foi esquecido, também, foi de conciliar copa com o restante do mundo. Ser “patriota” é viver e querer uma sociedade mais igualitária, mais justa e talvez assim mais fraterna. Enquanto a globo transmitia a copa e milhares de pessoas paravam para assistir, outras tantas nem tinham como assistir, estavam no leito de hospitais, nas ruas abandonadas com fome e frio, e outras centenas sem casa por causa da enchente, como aconteceu no Nordeste brasileiro. È deste patriotismo que estou a falar, quando se tem solidariedade, compaixão com o próximo, esse é o amor pelo país – Brasil – e pelos brasileiros que devemos ter. Que por sinal, não vemos no dia-a-dia da sociedade.
Perder um jogo, uma copa do mundo não foi culpa de ninguém, mas mérito daqueles que jogaram melhor. E não foi tão trágico, como demostraram os “patriotas”, morrer por miséria, viver numa sociedade preconceituosa, além de não ter direitos de ir e vir, são bem piores. Saber perder e não contar vitória antes do resultado final são coisas que o brasileiro precisa aprender. Buscar uma sociedade melhor, garantir fraternidade e ser brasileiros o ano todo, talvez sejam ingredientes para se chegar ao verdadeiro significado do que é patriotismo. E assim, perder poderá ser mais fácil na próxima copa.