segunda-feira, 12 de julho de 2010

Reportagem - Homofobia

Saber lidar com as diferenças
Vítima de homofobia no Tocantins perdoa seu agressor
Por ALessandra Leite, Elvio Júnior e Patricia Vera

“Levei cadeiradas, chutes, murros...fiquei sem reação, entrei em choque, com tantas agressões”, conta Thassio Carvalho Paz, depois de ser agredido por um homofóbico no mês de maio . Este caso aconteceu em Paraíso, uma cidade do interior de Tocantins, onde a homofobia é confirmada mais uma vez como preconceito existente na sociedade.
A existência da homofobia é cada vez mais notório no estado do Tocantins. O índice de casos contra homossexuais ainda é baixo, mas existe segundo Associação Grupo Ipê Amarelo Pela Livre Orientação Sexual (Giama). A pesquisa realizada pela Associação mostra que desde dezembro de 2009 foram atendidas 48 pessoas no Centro de Referência em Direitos Humanos e Combate a Homofobia de Palmas.
Em maio deste ano, 2010, mais um caso é confirmado em Paraíso do Tocantins: um jovem de 17 anos, estudante e homossexual é agredido no âmbito escolar. Thassio Carvalho Paz afirma “Em sala de aula sofri vários preconceitos por um colega e me senti ameaçado”. Ele ainda complementa que depois de tantos insultos a presença dele incomodou bastante o colega, que o agrediu. “Entrei em choque e desmaiei depois das agressões”, conta.
Como o ocorrido envolveu menores e aconteceu dentro da unidade escolar, o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar da cidade. “Garantir os direitos da criança e do adolescente, direcionar para uma psicóloga e fazer um procedimento para a delegacia são os trabalhos do Conselho Tutelar”, afirma Iara Alves Cortéz Lima, Conselheira.
“Desprezo da sociedade e preconceito”, essas são algumas características da homofobia, afirmou a Psicóloga Marculina Barros de Carvalho Bolwerk. De acordo com a psicóloga, muitos paradigmas em relação ao homossexual foram quebrados pela sociedade, como o fato da Organização Mundial da Saúde não considerar mais homossexualidade uma doença. “O problema é cultural, pois as pessoas ainda não sabem viver com a diferença”, complementa. Segundo a própria psicóloga, os homofóbicos precisam de tratamento, pois são pessoas que não controlam suas atitudes, se incomodam com a presença do gay .
A vítima Thassio Carvalho percebeu que os processos realizados pela Justiça poderiam gerar novos casos de homofobia pelo agressor. Então, a atitude da vítima foi a construção de uma amizade, e ele resolveu perdoar o estudante que o agrediu. “Ele via minha orientação sexual como um bicho de sete cabeças, e hoje ele consegue perceber que podemos conviver com as diferenças”, diz Thassio. No entanto, o caso ainda está em andamento pela Delegacia da Infância e Juventude de Paraíso, já que a justiça precisa tomar medidas cabíveis.
“O grande problema da homofobia não são os gays, são as pessoas que não sabem lidar com as diferenças”, afirma a psicóloga.

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